As ações e operações das polícias baianas não apenas vitimaram pessoas no entorno das escolas, como também se estenderam a outras áreas das cidades baianas. A prova disso é que 38% dos tiroteios mapeados ao longo do ano aconteceram durante a atuação dos agentes de segurança do estado – o equivalente a 681 casos. Em média, a cada três tiroteios mapeados em 2024, um ocorreu com a participação policial.
Ao total, 630 pessoas foram atingidas por disparos feitos pela polícia. Isso representa 46% das pessoas que foram baleadas em Salvador e RMS no ano passado. Nessas circunstâncias, 514 pessoas morreram e 166 ficaram feridas. Em relação a 2023, a quantidade de tiroteios e de pessoas atingidas no último ano cresceu 1%.
Naquele ano, foram computados 1.804 tiroteios, uma média de cinco por dia. Do total, 37% ocorreram durante ações e operações policiais, somando 659 casos. Destes 639, 45% dos baleados foram atingidos, sendo que 529 morreram e 110 ficaram feridos.
Dudu Ribeiro analisa que o crescimento de 1% nas ocorrências de tiroteios desencadeados por operações policiais evidencia que as polícias não têm mudado a metodologia de combate ao crime. “Temos que reconhecer que as polícias continuam sendo uma grande parte do problema da segurança pública. Reconhecer que mais de um terço dos tiroteios são provocados em ações policiais deveria exigir que o Estado adotasse protocolos que revissem esse quadro e não movimentações que incentivam o confronto”, defende.
Ele aponta que as políticas de incentivo ao confronto, à ocupação de territórios negros e periféricos, e ao uso do armamento não só expõe a população como um todo, como também não reduz o índice de criminalidade das cidades e ainda provoca a exposição de agentes de segurança, que colocam a vida e a saúde em risco.
Entre os municípios que fazem parte da região metropolitana, Salvador foi o mais impactado pela violência armada, concentrando 1.335 (74%) tiroteios, 949 (49%) mortos e 279 (81%) feridos mapeados em 2024. Em seguida, aparecem Camaçari, com 179 tiroteios, 170 mortos e 23 feridos; e Lauro de Freitas, com 71 tiroteios, 63 mortos e 14 feridos.
Por ser líder de violência armada, os bairros de Salvador foram os mais impactados por episódios com vítimas atingidas por arma de fogo. Os mais afetados foram Pernambués, Fazenda Grande do Retiro e Beiru/Tancredo Neves. Eles também foram os bairros mais afetados no ano passado.
Dudu Ribeiro enfatiza que esses bairros não são bairros violentos, mas sim espaços violentados, seja pela presença excessiva doestado, pelo ataque de grupos armados ou pela falta de investimento público para a saída do quadro de violência.
Confira os cinco bairros, em Salvador e RMS, mais afetados pela violência armada em 2024:
1) Pernambués: 47 tiroteios, 30 mortos e 2 feridos
2) Fazenda Grande do Retiro: 36 tiroteios, 31 mortos e 7 feridos
3) Beiru/Tancredo Neves: 36 tiroteios, 26 mortos e 12 feridos
4) Lobato: 36 tiroteios, 25 mortos e 9 feridos
5) Valéria: 33 tiroteios, 23 mortos e 7 feridos